Ministério da Saúde

DATASUS

Informatização e compartilhamento de dados podem melhorar gestão da saúde

publicado: 09/09/2020 18h17,
última modificação: 09/09/2020 19h16

Premissa foi defendida pelo diretor do DATASUS durante audiência pública virtual, nesta terça-feira (8)

Audiência Pública

A audiência pública virtual da Comissão Mista do Congresso Nacional sobre as medidas do governo federal contra a pandemia do coronavírus recebeu entre seus convidados o diretor do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), Jacson de Barros, nesta terça-feira (8). Ele apresentou a evolução da Estratégia de Saúde Digital para o Brasil, com foco na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) e no Conecte SUS, e respondeu perguntas dos parlamentares e internautas que acompanhavam a sessão on-line.

Durante sua apresentação, Jacson de Barros explicou como funciona a RNDS e descreveu os componentes do Conjunto Mínimo de Dados (CDM) necessários para o funcionamento do sistema: resumo de atendimento; sumário de alta; imunização; medicamentos dispensados; e exames realizados. Também mostrou quais são as informações que estão disponíveis no Conecte SUS (internações, exames, vacinas, farmácia, entre outras) e como podem auxiliar no combate à COVID-19.

Para o diretor, o grande desafio é, além de consolidar uma grande quantidade de informações, disponibilizá-las ao público. Para isso, continuou Barros, o Ministério da Saúde (MS) lançou as plataformas Localiza SUS e OpenDataSUS, que reúnem dados que possibilitam traçar um panorama da pandemia no país. Ele também ressaltou a recente integração dos resultados de exames laboratoriais de COVID-19 com a RNDS realizados pelos laboratórios públicos e privados. O próximo passo agora é colocar na rede as vacinas contra o coronavírus. “Temos como proposta a carteira digital de vacinação e vamos utilizar todo esse arcabouço tecnológico para criar uma estrutura para receber e disponibilizar a melhor logística de imunização para o país”, complementou.

Informatização

Durante a sessão, o diretor do DATASUS foi questionado a respeito de diversos temas, entre eles a informatização do sistema de saúde brasileiro. Jacson de Barros enfatizou que há um problema nacional de informatização, não apenas da rede pública, mas também da privada. De acordo com ele, a maioria das informações clínicas dos pacientes está registrada em papel, em grande parte da rede hospitalar. Mas, com a pandemia, há um movimento no sentido de desburocratizar os processos de saúde.  “As informações são colhidas na ponta. Muitas delas são anotadas no papel para depois serem registradas no sistema. Os sistemas por si só são burocráticos. Precisamos acreditar mais na informatização, gerar mais informações automatizadas, investir na educação de quem opera todo o sistema”, frisou.

A informação digital, salientou o diretor, veio a ser uma realidade e muitas pessoas passaram a aceitá-la, situação que antes não era verdade, “a gente queria ver a assinatura e o carimbo médico”. A partir dessa premissa, é possível expandir o uso de tecnologias como a telemedicina, por exemplo. Das 46 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS), pouco mais da metade não são informatizadas e 12 mil delas não têm internet. A expectativa do DATASUS é, em parceria com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTIC), levar internet para conectar 90% dessas unidades que estão nos lugares mais remotos do país em um prazo de 90 dias.

Integração de dados

A pandemia expandiu para todo o Brasil o processo de integração de dados que havia começado como um projeto-piloto em Alagoas, em setembro de 2019, conforme explica Barros. “Iniciamos o projeto com a carga dos dados laboratoriais. Agora, estamos trabalhando para divulgar os dados de internação e consultas, para que possibilite que a Atenção Primária tenha acesso aos casos da Atenção Especializada e vice-versa. Esperamos que essa rede permita essa evolução.”

O DATASUS também está trabalhando com dados dos leitos disponibilizados pela rede de saúde, porém, apenas 25% dos estabelecimentos preencheram um formulário para mapear essas informações. “Temos problemas de recursos humanos, a nossa força de trabalho foi também acometida pela doença, por isso, criamos algo muito simples de ser preenchido e apenas uma vez por dia. Alguns estados se anteciparam e criaram seu próprio sistema e o que nós fizemos? Integramos. Criamos uma porta tecnológica que permite essa comunicação. A gente chama isso de interoperabilidade. Acreditamos que talvez até fim de outubro já tenhamos 90% deles integrados”, explicou.

A Comissão

A audiência desta terça foi presidida pelo senador Confúcio Moura (MDB/RO) e teve ainda a presença do representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Juan Cortéz; do ex-ministro de Ciência e Tecnologia, coordenador do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Consórcio Nordeste, Sérgio Rezende, e do diretor de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação e Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), André Tortato Rauen,

A comissão mista é composta por seis senadores e seis deputados federais, com igual número de suplentes. Esse colegiado funcionará até o fim do estado de calamidade pública decorrente da pandemia, previsto para 31 de dezembro de 2020.